O Teatro do Concreto,  Companhia B de Teatro e Grupo de teatro celeiro das antas em: Diário do Maldito, Ruas abertas, Páginas Amarelas e Bagulhar.

O grupo de Brasília, O Teatro do Concreto, criado em 2004, é um dos exemplos da experimentação de apresentações em espaços não convencionais:

“O trabalho do grupo é voltado para a pesquisa de linguagem, a formação e estimulo à criação teatral. Seu principal foco está na reflexão sobre temas que afligem o homem contemporâneo e na investigação de novas possibilidades de composição da cena teatral”  (SEABRA, Aline. Entrelinhas e Concreto – teatro brasiliense contemporâneo)

Sua pesquisa e estética propõe uma nova relação com o público, fazendo-o se sentir dentro da cena. O Teatro do Concreto usa o espaço urbano para falar do homem moderno. Acreditam que “O espaço urbano, desde a modernidade tornou-se a grande arena pública de convivência humana e cultural”. Usam a cidade como estimuladora da dramaturgia permitindo um diálogo com ela e com o público no precesso de criação.

Sobre o espaço da cidade, o “Entrelinhas e Concreto” primeira edição, aborda três dos espetáculos aclamados dos respectivos grupos Grupo de Teatro Celeiro das antas, Companhia B de teatro e  Teatro do Concreto: Bagulhar, Páginas Amarelas e Diário do Maldito. Em Bagulhar, o próprio tema do espetáculo consiste na rua, tendo então a cidade, o espaço urbano, inserido no processo cênico; o elemento a ser investigado era a vida dos moradores de rua. A cidade está presente também no resultado deste processo, pois em cena há a fiscalização dos becos e ruas em que vivem os miseráveis. É mostrada a situação desumana de sobrevivência que é mostrada pela disputa de domínio de espaço e pela utilização de objetos e restos de comida pelos lixos urbanos. Já em Páginas Amarelas e Diário do Maldito o espaço urbano é apenas retratado, e não atuante da tranmissão de mensagem, no primeiro espetáculo como opressivo e no segundo com a função de mostrar a dupla face da cidade, tanto o que ela não absorve quanto o que ela corrompe.

Cena de Páginas Amarelas

Cena de Bagulhar

Cena de O Diário do Maldito

Há, entretanto, um espetáculo do Teatro do Concreto, que compreende uma intervenção cênica nesse espaço urbano: Ruas Abertas, no qual o tema é o Amor e Abandono. O cenário é a Rodiviária de Brasília. Essa busca pela utilização do espaço não convencional urbano, no qual se apresenta uma ruptura na relação comum entre espaço do espectador  e  espaço cênico, propõe uma maior aproximação com a dimensão autoral da platéia.

Cena de Ruas Abertas
Cena de Ruas Abertas

Teatro da Vertigem

Uma igreja, um hospital, um antigo presídio e até o Rio Tietê serviram de espaço para montagens do grupo Teatro da Vertigem, que se iniciou em 1991 encabeçado pelo encenador Antônio Araújo, e com a participação de uma equipe formada por seus colegas, os atores Daniela Nefussi, Johana Albuquerque, Lúcia Romano e Vanderlei Bernardino. Tal grupo realizou pesquisas e experimentações baseadas na Mecânica Clássica, que se aplicavam ao movimento expressivo do ator.

A Ultima Palavra e a Penultima

Dido e Enéas

O primeiro espetáculo da companhia, O Paraíso perdido, foi a concretização do treinamento que resultou de um ano da pesquisa inicial do grupo, e estreou bem longe dos palcos, na Igreja Santa Ifigênia, em São Paulo.  Setores conservadores da comunidade religiosa não concordavam com a utilização da santa igreja para a montagem de um espetáculo teatral, e uma árdua batalha foi travada nos bastidores. Mas ao final, a realização mostrou-se bela e grandiosa.

Cena de 'O Paraíso Perdido'

Cena de 'O Paraíso Perdido'

Video de ‘O Paraíso Perdido’

Sem perder a vontade de se distanciar dos palcos, o Teatro da Vertigem se desloca para o Hospital Humberto Primo, também em São Paulo, onde, convertido em dramaturgia por Luíz Alberto de Abreu, o episódio bíblico O Livro de Jó serve de pretexto para a exploração do sofrimento enfrentado pela humanidade naquele final de século. A arquitetura do local foi aproveitada para na montagem que consistia na peregrinação do personagem bíblico Jó, que seria acompanhada pelo público ao longo do espetáculo. O Livro de Jó foi o primeiro espetáculo brasileiro a representar o Brasil no III Festival Internacional de Teatro Anton Tchekhov em Moscou, em comemoração ao centenário de seu teatro.

Cena de 'O Livro de Jó'

Cena de 'O Livro de Jó'

O terceiro espetáculo da companhia foi montado no antigo Presídio do Hipódromo, em São Paulo. Apocalipse 1.11 estreou, oficialmente, dia 14 de Janeiro de 2000 no tal presídio, e viajou em seguida pra Lisboa, Curitiba e Rio de Janeiro. No Rio, o espetáculo cumpriu temporada no prédio do antigo DOPS. O grupo se apresentou com este espetáculo também em Colônia na Alemanha, em Londrina e em Wroclaw, na Polônia.

Cena de 'Apocalipse 1:11'

Cena de 'Apocalipse 1:11

Video de ‘Apocalipse 1:11

Mais uma vez longe do palco, o Teatro da Vertigem utilizou o Rio Tietê para a montagem do espetáculo BR-3, que estreou em fevereiro de 2006. A companhia retornou com o espetáculo em 2007, só que transpondo e adaptando a montagem às dimensões gigantescas da Baía de Guanabara, a partir dos pilares da ponte Rio – Niterói.

Cena de 'BR-3'

Cena de 'BR-3'

Video de ‘BR-3′

O Teatro da Vertigem se utiliza do espaço de forma ativa, unificando dramaturgia e espaço. Apropria-se do espaço para a evolução ou melhora textual a partir de elementos urbanos, teatralizando a cidade e aproximando o espectador das histórias vistas em espaços do seu cotidiano.

Entrevista com o diretor do Teatro da Vertigem sobre exposição do grupo.

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