A origem da palavra performance também tendo como subjetivo o desempenho vem da tradição egípcia primeiramente usada como um termo relativo às artes do espetáculo. A “Performancey” era um ritual de encontro de artistas itinerantes que no final de um longo dia de trabalho construindo pirâmides, se encontravam para praticar as mais diversas artes e se divertir.

Hoje a palavra performance é tida como um evento no qual um grupo de artistas (ou artista) se comporta como o publico, criando assim algo fora do comum podendo envolver teatro, musica, cinema, literatura, e outras artes.

Grupo Rex

Chris Burden

Saburo Teshigawara – Glass Tooth

Por ser tão abrangente, misturar vários tipos de arte e ter origem nas vanguardas, onde se pregava a liberdade. A performance é um dos meios de expressão mais difíceis de delimitar contornos específicos. Com a busca pela liberdade evitou-se a possibilidade de buscar conceitos que delimitassem até que ponto uma forma de expressão pode ser considerada performance.

Hoje estudiosos do teatro e de outras artes buscam essa conceitualização da palavra e do meio específico de arte.

“A performance pode ser entendida como uma função, como um novo gênero, como uma fusão de gêneros, como um gênero multidisciplinar, como evento, como intervenção política ou ambiental, como ritual, ou como pura ação ou presença. No esforço por defini-la conceitualmente, Marvin Carlson cita a observação de Mary Strine, Beverly Long, e Mary Hopkins no artigo “Research in Interpretation and Performance Studies: Trends, Issues, Priorities” onde se entende performance como um conceito que se contesta a sí mesmo. Esta expressão, formulada por W.B. Gallie, se refere a conceitos, como a arte e a democracia, que não somente consideram, senão que incorporam o desacordo em si mesmos, o que implica num permanente potencial de valor crítico a respeito de nossos próprios usos ou interpretações do conceito em questão (Strine, Long, Hopkins e Gallie in Carlson 1996 p.1).

Erik MacDonald sugere que a performance abriu na arte espaços antes inadvertidos na rede representacional do teatro, problematizando suas próprias categorizações e situando a especulação teórica dentro da dinâmica teatral. (MacDonald in Carlson 1996 p.1). Ao examinar o século xx a partir dessas perspectivas é possível afirmar que a performance redefiniu a cultura ocidental em todos os campos. A arte, a política, o mercado, a teoria e a vida cotidiana tem sido renovadas a través das perspectivas colocadas pelos estudos da performance, revelando a performatividade social e apagando, ao mesmo tempo, as fronteiras disciplinares.” (Davini, O Beijo de Romeu e Julieta)

A performance assim como a arte é uma forma de expressão que contesta a si mesmo, sendo tão interdisciplinar que ainda não é possível e nem preciso criar contornos de delimitação. Porém em todas as tentativas de conceitualização a mais simples e abrangente assim como o próprio meio de expressão artística é o de performance como “escultura com vida”, criada por Gregory Battcock, onde a figura do artista é o instrumento de arte. É a própria arte.

Gilbert & George – Livin Sculptures

A performance é uma espécie da propulsora da teatralização de espaços não convencionais na arte contemporânea, pois diferentemente do teatro popular ou folclórico que já nasceram na rua, a performance criada no Sec. XX nasceu da junção de várias artes e  por não ser somente teatro não poderia acontecer numa sala de teatro.

Alberto Pimenta – Homo Sapiens

Tida como “arte viva” a performance foi primeiramente criada com o intuito de quebrar o molde da arte dominante e foi estabelecida como um catalisador de novas idéias. A performance não nasceu para ser classificada, nasceu de necessidade de certos grupos poderem trabalhar livremente todas as artes juntas, podendo assim fazer algo coletivo, uma produção conjunta.

Não só da necessidade do trabalho coletivo nasceu a performance, mas também a busca pela quebra de divisões na arte. Por que existir barreiras? Por que dividir tudo? Por que se limitar ao teatro se tudo acontece fora dele?

Nikhil ChopraYog Raj Chitrakar

Stein Henningsen – Infraction 08

A performance rebusca a paisagem urbana como meio de expressão. Engajada em termos políticos, procurando a não divisão de vida e arte, a performance busca a utilização do não convencional para se atingir um objetivo. “A crise remete a critica modernista da obra de arte enquanto objeto autônomo, fechado em si e isolado do espaço para além dela. Esta situação trouxe à tona a questão da localização da obra de arte e de sua relação ou contaminação com o entorno. Essa transformação também é uma busca por tirar as obras das instituições culturais e circuitos convencionais de exibição em busca de um campo ampliado de possibilidades de contaminação entre arte e entorno. Trata-se, portanto de redefinir o lugar da obra de arte contemporânea e sua relação com o espaço para além dela. [...] Em vista desse percurso, não se surpreende que a arte tenha buscado a paisagem urbana como elemento de composição. Esse retorno à cidade é também uma disposição para reinventá-la por meio da criação de fatos urbanos ou de maneiras que reanimam a vida social com a alteração da estrutura urbana a partir de sua presença.” (Pollyana Morgana, 2006, p. 38)

Catherine Bay – Branca de neve

O estopim para a descoberta da performance foi o surgimento de novos conceitos e de novas formas de arte que procuravam abranger o mundo e não se limitar a galerias. A arte não devia mais se separar da vida. Surgiram movimentos Como a Pop arte, tendo como principal artista Andy Warhol, que procurou ironizar o comércio fazendo parte dele, criou logotipos, fez propagandas e utilizou delas em sua arte aumentando ainda mais a ironia e defendo que arte podia ser comercializada.

Andy Warhol – Auto Reatrato

Sendo citada como parte importante das Vanguardas, a performance se tornou desde a sua invenção , ou descoberta, o conjunto de várias artes apresentadas de forma cênica num espaço não cênico, dividindo-se em vertentes ou estilos, como o Happening, que obrigatoriamente cria uma interação de artista e platéia, ou a Live Art que untrapassa as barreiras da performance aumentando ainda mais a pluralidade de meios.

Vista como uma nova forma de arte a performance ainda não encontrou o seu lugar. Perdida em meio às artes plásticas, cênicas e musicais nem os próprios artistas entram em consenso quando e trata da uma forma tão abrangente de expressão.

Happening

“Eventos teatrais espontâneos e sem trama” John Cage

Apesar da grande semelhança com a performance o happening tomou um caminho independente como forma de expressão, se dividindo ainda em outras formas.

Como o nome o happening é literalmente “o agora”, o que o artista é capaz de fazer neste exato momento. Diferentemente da performance tem como principal divisor a obrigatoriedade do envolvimento da platéia, o abandono de uma linha central que funciona como “roteiro” e a espontaneidade da cena apresentada.

Kaprow – Mountain

Kaprow – Mountain

Como o nome o happening é literalmente “o agora”, o que o artista é capaz de fazer neste exato momento e apesar das semelhanças, as diferenças entre happening e performance podem ser listadas:

———————————

Happening Performance
Sustentação Ritual Ritual – Conceitual
Fio Condutor Sketches(algum controle) Colagem -> Sketches(aumento do controle)
Forma de estruturação Grupal Individual
Ênfase Social Integrativa IndividualUtopia pessoal
Objetivo TerapêuticoAnárquico EstéticoConceitual
Tempo de apresentação Evento(sem repetição) Evento(alguma repetição)

(tabela criada a partir do livro performance como linguagem de Renato Cohen, p. 136)

Aparentemente improvisado o happening surgiu na década de 50 conceituado por Allan Kaprow com o principal intuito de misturar arte e vida, seguindo diferentes movimentos vanguardistas, mas criando uma nova estética de criação. O happening pode ser visto como uma evolução do expressionismo abstrato, tirando a arte do material e a tornando parte da rotina.

Allan Kaprow – Filme

“Os visitantes de um happening ficam antes e depois confusos sobre o que aconteceu, quando ele termina? mesmo quando as coisas foram “erradas”. Pois quando vai algo “algo errado”, é muito mais “direito”, mais revelador, se difere das outras apresentações.” (Kaprow, New Media Reader, pg. 86

Kaprow como artista plástico influenciado pelas vanguardas e principalmente por Jackson Pollock (importante artista da vanguarda abstrata vide), na busca por novas formas de expressão começou a exploração na arte conceitual, utilizando um conceito próximo ao dadaísmo: A (ainda não nomeada assim) arte processual, aonde o processo para chegar a um objetivo é mais importante do que o próprio objetivo, ou objeto, em si.

Fluids – Happening de arte processual

Fluids – Kaprow com a obra finalizada

Explorando ainda esse conceito Kaprow pode chegar ao happening através dos estudos de John Cage (que futuramente entraria no Fluxus) sobre o acaso.

“Em 1957-8 Kaprow começou a criar obras de instalação, que exigiram a participação do público (uma idéia igualmente provenientes de experiências de Cage). E essa integração do espaço, materiais, tempo e pessoas acabou por levar para as obras mais experimentalismo. Outras influencias realmente precedentes para os happenings de Kaprow eram os absurdos publicamente encenados do pós-Primeira Guerra: Os dadaístas, as teorias de Antonin Artaud, e as aventuras de Yves Klein, o francês New Realist.” (Claude Marks)

As influencias de Kaprow para a criação do Happening são inúmeras, partindo primeiramente de um trabalho mais plástico para finalmente alcançar um modelo de expressão interdisciplinar mais voltado para o teatro.

“As colagens de ação, em seguida, tornaram-se maiores, e eu introduzi luzes piscando e elementos mais pesados. Estas peças projetadas cada vez mais longe da parede para o quarto, e incluiu mais e mais elementos sonoros: os sons de toque de campainhas, sinos, brinquedos, etc. Até que eu tinha acumulado quase todos os elementos sensoriais [...] Eu vi imediatamente que todos os visitantes do ambiente faziam parte dele. E assim eu dei-lhe oportunidades com algo em movimento.” (Kaprow, 1959)

Yard – Instalação

O happening teve a sua origem na instalação que inicialmente é um espaço vazio com simples objetos, mas com a presença de alguém, o espaço passa a ser uma obra de arte juntamente ao presente que passa a fazer parte dela.

Yard – Instalação

Pintura Performática/Action Painting

Ainda antes do Happening, na busca pela interdisciplinaridade das artes. Alguns artistas plásticos já praticavam o conceito da arte processual, tendo o processo como princípio, ou ainda aderindo ao conceito do corpo como obra ou do corpo como meio de arte. Criando assim a junção da Body arte (vide) com a pintura.

A pintura performática já se utilizava de certos meios da performance e do happening apesar de no momento a construção do conceito ainda não ter teoricamente começado.

A Antropometria denominada por Yves Klein foi um dos meios de chegar à construção do conceito de performance, se baseava em uma espécie de arte processual mesclada a body arte e a pintura, aonde mulheres nuas eram usadas como pinceis humanos para a pintura de enormes telas. Klein em alguns momentos ainda se utilizou da música em seus processos de pintura com mulheres.

Yves Kleis – Antropometria

Fluxus

Fluxus – Filmes Curtos

Apesar dessa junção das artes cênicas a outras artes já ter acontecido antes do séc. XX com o teatro popular (teatro popular: blog) e outras formas de expressão, essa modalidade só ganhou importância depois de ser classificada e nomeada como performance.

O ideal da performance criado a partir de experimentações práticas  foi construído pelo grupo Fluxus, caracterizado como um dos principais movimentos vanguardistas da arte ocidental tendo como base influencias diretas do trabalho ainda não nomeado de Allan Kaprow que se inicou nos anos 50.

Fluxus – Happening Gund

A palavra Fluxus que nomeia o movimento vem do latin “fluxu” passando justamente o objetivo deste grupo.  De fluxionar a arte, fluir como o mar, numa inundação superabundante de idéias.

Fluxo – (cs) [Do lat. fluxu.]
Substantivo masculino
1.Ato ou modo de fluir.
2.Corrente, curso de fluido em um conduto, de tráfego numa rua, etc.
3.V. fluxo da maré. [Cf., nesta acepç., refluxo.]
4.Enchente fluvial.
5.O espraiar (das ondas).
6.Escorrimento ou curso de líquido; deflúvio:
o fluxo constante da água esvaziou o reservatório.
7.Fig. Grande quantidade; abundância; superabundância.
8.Qualquer movimento contínuo ou que se repete no tempo:
fluxo de vendas, fluxo de produção.
9.Fig. Seqüência ou vicissitude dos acontecimentos.

Influenciado por outras vanguardas do inicio do séc. XX como o dadaísmo e o Bauhaus, Fluxus criado a partir de artistas plásticos e músicos, abandonava primeiramente a visão da arte como mercadoria, se classificando como um movimento de antiarte. Uma das principais características do grupo foi à mescla de diferentes artes em suas criações, abandonando preconceitos e rivalidades na busca de um mesmo objetivo, político, social e artístico.

“A versão 1960 do Dadaísmo seria a resposta Dada? embora isso levante a questão: o que foi Dada? O que é ainda mais difícil de responder. Antes deste evento, eu estava disposta a aceitar o habitual definição de dicionário que Fluxus foi um movimento anti-arte arte que originou em Nova York no início dos anos 1960 e logo tornou-se internacional. Como pode ser um movimento de arte anti-arte, você pode estar pensando? Fluxus foi anti-arte no sentido que ele atacou as velhas formas de ser um artista. Foi contra a museus, galerias, negociantes, currículos, retrospectivas, comissões de empresas, a coisa toda Fluxus Segundo Fluxus tortuoso pensamento, o sucesso comercial era algo a ser evitado, em vez de almejado.” (Waldemar Januszczak, The Sunday Times, 2008)

Como muitos outros movimentos vanguardistas, Fluxus se iniciou informalmente a partir de um manifesto artístico escrito por George Maciunas impulsionado por outros artistas. O movimento buscava novos conceitos, formas de arte, mudanças na estética tradicional e politização da arte.

Manifesto de George Maciunas – Fluxus

Os ideais e novos conceitos do movimento Fluxus se tornaram em pouco tempo conhecidos internacionalmente e começaram a influenciar artistas de todo o mundo.

Fluxus – Audios

Os principais membros do Fluxus ligados a performance e ao happening foram: Alison Knowles, Dick Higgins, Ken Friedman, Georges Maciunas, Nam June Paik, Jackson Mac Low, John Cage, Yoko Ono, Joseph Beyus, George Brecht, Wolf Vostell.

Os membros do grupo priorizavam a criação em coletividade utilizando ainda mais a mescla das artes e ousando ainda mais nos projetos artísticos.

Fluxus – Lista de nomes, trabalhos do grupo

Joseph Beyus

Suas performances assim como os outros meios de expressão estavam ligadas a política e a críticas fortes sobre a sociedade. Beyus assim como todo o Fluxus através de sua obra procurou inquietar o público, para que assim o próprio espectador e a arte deixassem a passividade e se tornassem ativas na sociedade.As principais críticas da obra de Beyus eram sobre a agressão a natureza ligada a guerra. Beyus foi um membro muito importante para Fluxus, o mais ligado a arte política e ao ativismo Seguiu caminhos do dadaísmo e da antiarte defendendo que “toda pessoa é um artista” e que a criação deve vir a partir das experiências pessoais. “somente a arte, isto é, a arte concebida ao mesmo tempo como autodeterminação criativa e como processo que gera a criação, é capaz de nos libertar e de nos conduzir rumo a uma sociedade alternativa” Joseph Beyus.

John Cage

“Cage utilizou-se de desenhos para estabelecer a relação intersemiótica com o som que ele queria ouvir. Ele também questionou a noção de tempo e espaço, e obviamente teve a vida facilitadíssima com o advento das fitas de gravação e depois com os computadores nos quais podemos gravar o presente (para ser usado no futuro, etc.) [...] Cage mostrou que o objeto não precisa existir, porque não existe necessariamente a convenção. A mente tem que estar livre para entrar e sair do ato de ouvir. Tipo, ouvir cada som do jeito que ele é. E assim se estabelece o objeto. Aquele que não existe, existe assim. No caso, design não intencional; aí o protótipo é a linguagem [...] em John Cage prevalece a experiência.” (Eduardo Barrox, 2006)

Nam June Paik

Estamos novamente no fin de siècle… agora estamos descobrindo muito software novo – o que não é uma coisa nova, mas sim uma nova maneira de pensar… e mais uma vez estamos descobrindo e inclusive tecendo novas relações entre vários pensamentos e mentes… Estamos afundados até os joelhos na era pós-industrial.” (Nam June Paik)

Yoko Ono

As instruções (obra vide) de Yoko Ono, escritas em japonês ou, quando são em inglês, numa caligrafia cuneiforme lindíssima, são breves poemas para um domingo de manhã em que você está sozinho, em paz e com vontade de tentar algo que você nunca fez: pintar uma aquarela, seguir um desconhecido na rua, olhar para o céu pelo buraco que você se permitiu fazer na cortina da sala. Yoko Ono defende a pequena liberdade íntima e concreta do fazer. É a liberdade mais difícil, mais verdadeira e mais preciosa.” (Calligaris, 2007)

Wolf Vostell

Wolf Vostell, muito antes da invenção do videotape atestava sua inconformidade contra a televisão e a agredia, em suas performances e instalações, como “ser material” embora simbólico. Atos como atirar (com arma) na tela, amarrá-la com arame, enterrá-la em cimento simbolizavam a inconformidade contra o gigante que ameaça a aprisiona e não se deixa tocar porém.” ( Leote, 1996)

Centrados na arte política, Fluxus se construiu como um movimento artístico ideológico que antes de criar se permitia sentir e captar conflitos e diferentes formas da problemática política, para assim então transmiti-las através da arte de forma que a mesma estivesse junto à vida cotidiana.

Live Art

Assim como a performance surgiu como forma vanguardista de nova arte, a live art surge como forma de não-arte e de não-estética, buscando ainda uma maior espontaneidade, pluralidade e uma ainda maior ponte entre a vida e a arte, quase não podendo se separar uma da outra, como se ambas fossem elementos dependentes.

“Live Art constitui-se essencialmente de obras artísticas temporárias que cobrem diversas áreas e discursos, envolvendo, de alguma maneira, corpo, espaço e tempo. Falar de Live Art é falar de uma pletora de formas de tratar as questões da condição de estar vivo e sua expressão corpórea, algumas das quais ainda nem mesmo existem” (Lois Keidan, 2007)

Ainda mais abrangente que o meio expressivo que lhe deu origem (a performance), traçar contornos e conceitos para  live art é ainda mais trabalhoso, tendo em vista que é um meio de arte que surgiu junto a outras formas, mas que aos poucos se desprendeu para tomar rumo próprio. Mas tentar classificar a live art iria de contra a sua ideologia, já que a mesma não se considera arte e sim forma de “vida teatralizada”.

Gob Squad – Kitchen

Dan Deacon – Balloon-Head-Guy

Muito além da estética a live arte surge como forma de inclusão, como nova forma de comunicação, de conhecimento político, uma contraposição a outras formas de arte e principalmente como desconstruidora de falsas aparências da arte contemporânea e da mídia. “E qual mensagem que está sendo captada? A mensagem da mídia. A voz eletrônica do sistema que veicula seus estatutos e seus rostos padronizados. E essa emissão é cada vez mais fragmentada e subliminar. O sistema se insinua em cada texto, em cada imagem, em cada objeto utilitário. O sistema trabalha em multimídia.” (Renato Cohen, 2002)

Assim como o happening e a performance, a live art tem um objetivo político, além do estético e além do comercial. “Live Art é um corpo em expansão de abordagens que oferecem ao público experiências de imersão, envolvendo-o como parceiro cúmplice no fazer e na leitura do significado. Em meio à simultaneidade e interatividade de uma cultura saturada de mídia, Live Art investe em questões do imediato e da realidade, criando espaços para explorar a experimentação das coisas, as ambigüidades do significado e as responsabilidades de cada um como agente” (Lois Keidan, 2007)

La Ribot – Panoramix


Absolut Fringe – Live Art Speed Date

A live art explora ainda mais a liberdade criativa a partir de meios não convencionais, fugindo do comum para que assim se construa uma utilização do que não é visto como útil. Em busca da quebra do comum, não mais somente da quebra de conceitos e valores artísticos, mas de espaços, meios de chegar ao espectador e de onde se cria. “Ao investigar e testar o permissível e o possível em arte, Live Art gerou aquilo que Joshua Sofaer se referiu como uma explosão da estética convencional e dos conceitos reconhecidos de interdisciplinaridade, hibridez e convergência. Seja desafiando as ortodoxias da prática das Belas Artes, seja explorando os limites da teatralidade, apropriando-se das expressões da cultura de massas, avançando as fronteiras das convenções coreográficas, ocupando a linha de frente do ativismo político ou explorando a performatividade dos espaços virtuais” (Lois Keidan, 2007) Se cria em cima do que é comum a vida, ao cotidiano, para, a partir disso unificar vida e arte.

Rick Seabra – Isadora.Orb

Não vem para dar voz a uma parte social marginalizada, ou para servir de meio contra ações machistas (apesar de poder se focar em diferentes problemas sociais). A live art destrói os achismos da sociedade contemporânea, a partir da estética destrói conceitos sem se preocupar em reconstruí-los, dando voz à sociedade como um todo, por meios de comunicação de massa, ou se apropriando de espaços virtuais, aonde hoje é meio informativo mais democrático.

A origem da palavra performance também tendo como subjetivo o desempenho vem da tradição egípcia primeiramente usada como um termo relativo às artes do espetáculo. A “Performancey” era um ritual de encontro de artistas itinerantes que no final de um longo dia de trabalho construindo pirâmides, se encontravam para praticar as mais diversas artes e se divertir.

Hoje a palavra performance é tida como um evento no qual um grupo de artistas (ou artista) se comporta como o publico, criando assim algo fora do comum podendo envolver teatro, musica, cinema, literatura, e outras artes.

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